Técnica, Tipologia e princípios fundamentais

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Técnica, Tipologia e princípios fundamentais

Mensagem por Carlos-Camoesas » quarta nov 08, 2006 7:19 pm

A estrutura principal dos aviões é a fuselagem (que pode ela própria ser asa), os automóveis possuem um chassis e uma carroçaria (que pode ser monocoque quando numa única peça) e os hovercrafts também possuem uma estrutura principal a que naturalmente se chama casco (não esquecer que os hovercrafts são embarcações).

Por norma um hovercraft possui uma saia feita de material flexível e impermeável ao ar e água, que permite a adaptação ao terreno e contém o “colchão de ar”. Por norma, porque nada implica ou obriga a que a saia exista, o primeiro hovercraft (SR.N1) não possuía saia e posteriormente, um exemplo desta opção foi o CC2. Chegados a este ponto, de novo “esbarramos” com outra aparente incongruência porque de facto existe sempre uma saia! Nos dois exemplos citados, existe uma saia, mas é um conceito que em resumo simplista é uma “saia virtual” formada por jactos de ar periféricos com velocidades e pressões diferentes do ar de que é formado o colchão.

Tal como nos aviões, 4 Forças são aplicadas aos hovercrafts (Thrust, Lift, Drag, Weight) Tracção/Impluso/Propulsão , Sustentação, Resistência ou Atrito e Peso (acção da força da gravidade). Falemos das duas forças principais e que caracterizam o hovercraft; Thrust e Lift. A Propulsão dos hovercrafts é geralmente feita no ar e através dele próprio (existirão excepções à regra mas esbarram com o conceito ou definição Universal de Hovercraft que, simplesmente não existe e será um assunto tratado à parte), logo são aplicáveis todas as soluções técnicas empregues na Aeronáutica; hélices, fans, turbinas, etc
A sustentação nos hovercrafts já difere do conceito aeronáutico onde, a definição de avião implica que a sustentação seja obtida no ar por superfícies aerodinâmicas, excluindo o efeito de solo. A sustentação num hovercraft é obrigatoriamente conseguida reagindo com o solo, seja em terreno sólido ou movendo-se sobre água. A sustentação é assim obtida por uma massa de ar pressurizado (colchão), contido pela saia, sobre o qual o aparelho se desloca sem que o seu casco toque o solo.

Curiosidades:
É algo característico hovercrafts ligeiros de competição, fazerem demonstrações de performance fazendo passagens sobre ovos sem os partir.
Também é admissível a promoção de passeios e até competições de hovercraft em zonas de águas poluídas de modo a provocar a oxigenação das mesmas (vejam-se as bombas de ar utilizadas nos aquários…).

Carlos Camoesas, 08/11/2006
Última edição por Carlos-Camoesas em quinta nov 09, 2006 1:56 pm, editado 1 vez no total.
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Saias, Ligeiros e Pesados

Mensagem por Carlos-Camoesas » quinta nov 09, 2006 1:53 pm

Tipologia dos hovercrafts e saias

Comecemos por distinguir duas “categorias” de hovercrafts; os ligeiros e os de transporte. Nos hovercrafts de transporte poderemos considerar os de carga e de passageiros, nestes últimos entendamos por passageiros quando se destinam a 3 ou mais pessoas porque, com jeitinho e boa-vontade até num de competição se poderá levar um pendura para dar uma voltinha. Nos hovercrafts ligeiros poderemos incluir os de lazer e os de competição.

Aqui, desviemo-nos por instantes do assunto e falemos das saias; Bag Skirt (saia fechada tipo câmara de ar), Finger Skirt ou Segmented Skirt (parecidas com os gomos de uma laranja), Bag and Finger (misto das duas anteriores, em que os fingers são pequenos e são estes que tocam no chão).
Na maior parte dos meus hovercrafts sempre utilizei aquilo que eu chamei Open-Bag (imaginemos uma câmara na jante e não utilizamos toda a parte que está em contacto com ela), daí a tradução que fiz para Inglês. Nunca vi em hovercraft algum esse tipo de saia, suponho que não é usado! Quando mostrei o meu modelo a Bob Windt em 1995, na Régua, ele referiu que era um sistema “engenhoso” e gostou.
Talvez não seja um tipo de saia utilizável em tamanho real, não tive oportunidade de testar. Facto é que a partir de 2004, num fórum de hovercrafts internacional onde tenho fotos e vídeos das minhas máquinas, sem qualquer referência aos meus modelos, alguns, falando da tipologia das saias, começaram a falar de um tipo “C Skirt”! Desconheço, mas admito que exista ou que alguém já tenha visto e se alguém descobrir (antes de 1995), agradeceria imenso que me informassem do facto. O mais parecido que existiu, se é que é parecido, foi a evolução do SR.N1 que quando passou a "usar" saia, era uma espécie de duas "cortinas" concêntricas, que canalizavam o ar do jacto periférico para o interior do colchão...

Saias Finger:
Voltando aos Ligeiros e Pesados; desconheço hovercraft de transporte (só se fôr médio) que utilize apenas saias Finger, estas são eficazes em competição onde se utilizam motores potentes e muito débito de ar e também em hovercrafts de lazer que são de facto ligeiros, com peso muito reduzido. As saias Finger requerem muito débito de ar, mas são as que melhor se adaptam a qualquer tipo de terreno. Além disso, em competição, substituir parte da saia (um segmento rasgado) é coisa para demorar cerca de 1 ou dois minutos apenas. Por requererem muito débito e por à escala conseguir material flexível, impermeável, resistente e leve, é complicado, só serão aconselháveis em modelos com muita potência disponível ou, todo e qualquer espaço entre elas, será o suficiente para perder a sustentação. As saias Finger porporcionam uma fácil adaptação a terrenos acidentados e ondulação média, são por isso “confortáveis” pois as irregularidades não são sentidas pelo piloto.

Voltarei logo que possível para falar de Ligeiros e Pesados bem como dos restantes tipos de saias.

Carlos Camoesas, 09/11/2006
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Mensagem por vsantos » quinta nov 09, 2006 3:18 pm

ola
sim senhor
Fiquei a saber.. :neutral10:
obrigado
Cumprimentos
vsantos

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Mensagem por Carlos-Camoesas » quinta nov 09, 2006 9:11 pm

Obrigado VSantos
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Pilotar um hovercraft de competição

Mensagem por Carlos-Camoesas » quinta nov 09, 2006 9:11 pm

Pilotar um hovercraft de competição

Vamo-nos abstrair dos hovercrafts de transporte porque regra geral têm propulsão independente da sustentação e também porque quase todos (senão todos) utilizam saias Bag ou Bag and Finger e os tornam assim de pilotagem diferente da maioria dos hovercrafts ligeiros de competição.

Assim, dediquemo-nos aos Hovercrafts Integrados (Integrated Hovercraft). Esta designação refere um tipo de hovercraft em que a propulsão e a sustentação é garantida pela mesma turbina . Neste tipo de hovercraft existe por trás da turbina um Splitter (gaveta) que separa o fluxo de ar gerado em duas partes, uma para a sustentação (25 a 35%) dirigida para o interior do casco que garante a sustentação e o restante dirigido para trás proporcionando a propulsão.
Grande parte dos hovercrafts de competição são Integrados, falemos então da sua pilotagem:

Pilotar um hovercraft não é difícil, como também não é difícil pilotar um navio à vela, ou um automóvel. Não é difícil para quem sabe e ninguém nasce ensinado, todos aprendemos. O grande problema de pilotar um hovercraft não é aprender! O difícil é ensinar, difícil é ensinar o próprio cérebro a pensar ao contrário do que naturalmente temos tendência a fazer, quase “contra-natura”.
Em praticamente tudo que aprendemos a conduzir ou pilotar, desde que começamos a andar de triciclo, aprendemos a travar ou reduzir quando a coisa se complica ou aparece um obstáculo.
Aprendemos a aliviar o acelerador, ou reduzir, ou até travar antes de uma curva que se aparenta difícil, só a meio ou depois aceleramos.
Aprendemos que não se aplica potência para evitar o perigo.
Tudo isto que aprendemos, provoca em nós uma reacção ou reflexo condicionado, Esses reflexos não podem surgir quando se pilota um hovercraft de competição, temos que ensinar novas regras e instintos ao nosso cérebro, temos que aprender a aplicar potência e acelerar para evitar obstáculos, temos que aprender a acelerar antes de entrar numa curva apertada.
Porquê???

Num hovercraft Integrado, não existe sustentação sem acelerar, ao ralenti, o casco está todo ou quase todo no chão e se estava em movimento continua “de rastos”. Ao ralenti não temos propulsão mas, não temos controlo direccional e a baixa potência temos baixo controlo direccional (a direcção é garantida pelo fluxo de ar que passa pelos lemes, sem fluxo de ar, bem podemos rodar os lemes que nada se altera). Um hovercraft Integrado não tem travões!
Um hovercraft tem acelerador e potência…

Talvez um piloto de rally entenda facilmente as frases anteriores, qualquer um que esteja habituado a conduzir em constante contra-brecagem. Não sou piloto de Hovercraft mas, tenho muitos anos de experiência a pilotar hovercrafts de competição r/c e já consegui “confundir” o meu cérebro.
Uma vez deixaram-me conduzir um pouco, um hovercraft de competição real, de corrida, um Fórmula 1 com 90 H.P e que atingia algo como 120Km/h. Assustei-me quando se elevou do chão à primeira aceleradela, cortei e caiu! Acelerei e mantive alguma potência e não consegui curvar. Acelerei algo mais e assustei-me com os 90 cavalos a um metro das minhas costas e com o tufão que passou por mim, sugado pela turbina, desisti, os meus modelos não me assustam.
De seguida passei sobre água a alta velocidade, por terra, por poças, direito a um muro e rotação de 180 graus, andei em linha recta fazendo rotações de 360 graus, nem sabia para onde estava a ir. Andei de lado, andei para todo o lado e não bati em nada. Um muro e outro muro e acelerava contra eles mas, sempre antes de bater…uma rotação de 180 graus.
Obrigado Ricardo, por me teres deixado sentar atrás de ti e bem agarradinho!

É assim que se pilota um hovercraft. Quanto mais se acelera, mais controlo se tem na direcção do aparelho. Não se entra em pânico quando surge um muro, acelera-se e vira-se-lhe as costas!

OBS:
O Ricardo foi Campeão Nacional de Hovercraft Fórmula 1, também o deixei pilotar o protótipo de demonstrações “Fury”, só a ele !

Carlos Camoesas, 09/11/2006
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Mensagem por Carlos Mariano » sexta nov 10, 2006 12:35 am

Percebemos...."Pata a fundo " e virar o "cu" para as curvas,sempre todo de ladex, e fé em Deus . Aqui está o resumo simplificado do texto do Carlos-Camoesas :D :D :D :D
Carlos quando as Miúdas assistem ás provas não dá para lhes levantar as saias,com o vosso potente motor 8) 8) 8) 8) 8)

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Mensagem por Carlos-Camoesas » sexta nov 10, 2006 1:06 am

:neutral18:
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Mensagem por Carlos-Camoesas » sexta nov 10, 2006 1:30 am

Uma fotografia é melhor que mil palavras, e um vídeo não será melhor que mil fotografias?
Aqui vai, o piloto c`est moi (é assim que se escreve?).
http://www.youtube.com/watch?v=p2MG5hwB9-Q

Mariano, aquelas piruetas junto aos fardos de palha foram propositadas para fazer saltar pedaços e "dar show", fazer isso às meninas não seria políticamente correcto!

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Mensagem por Carlos-Camoesas » sexta nov 10, 2006 8:52 am

Aqui vai outro vídeo que mostra aquilo que a All Lander remote...(Austrália-2000) e a Palaform (Inglaterra-2003) ainda não conseguiram copiar (piloto com movimento). O resto já conseguiram, muitos anos depois! :neutral4: :Yahoo:
http://www.youtube.com/watch?v=XtLyBmGLEqY

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Mensagem por Carlos Mariano » sexta nov 10, 2006 2:57 pm

Está giro o piloto mexe o "bulãnte" :lol: :lol:
É falar á Pourto carago!!! :D

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Mensagem por pjesus » sexta nov 10, 2006 2:58 pm

Carlos Mariano Escreveu:Está giro o piloto mexe o "bulãnte" :lol: :lol:
É falar á Pourto carago!!! :D
Ó Carlos, parece-me mais ao contrário, o 'bulante' é que mexe o piloto... :lol:

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Mensagem por Carlos-Camoesas » sexta nov 10, 2006 3:12 pm

Mariano e PJesus,
Pois, já revelei isso aqui, em primeira mão no ptnauticmodel, o piloto não está vivo, o bulante é que bule :Yahoo:
Mas não faz mal, agora é do domínio público e eles também podem copiar isso. às tantas também vão patentear, é que eu não tive nota para isso e para o resto :neutral13:

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Mensagem por Carlos Mariano » sexta nov 10, 2006 3:46 pm

Patentes nestas coisas?!?! basta uma pequenina modificação e o registo da patente é válido

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Mensagem por Carlos-Camoesas » domingo nov 12, 2006 12:33 am

De regresso às saias :lol:
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OBS: o último desenho não se refere a um tipo de saia mas sim a um tipo de alimentação destas, sem ser através do interior do casco (não aconselhável)

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Hovercrafts Americanos e Europeus

Mensagem por Carlos-Camoesas » quarta nov 15, 2006 11:45 pm

Tipologia dos hovercrafts ligeiros.
Existem duas principais filosofias ou abordagens ao hovercraft ligeiro ou de competição; a Americana e a Europeia. São dois conceitos diferentes originados pelo tipo de utilização mais frequente. Na América é "tudo à grande", grandes rios e grandes lagos logo, o hovercraft ideal deverá ser útil em grandes espaços. É compreensível que este tipo (Americano) seja de maiores dimensões e adaptado ou vocacionado para percursos em água, que seja dado mais ênfase à comodidade de grandes viagens do que à manobrabilidade ou capacidade anfíbia. É natural que seja prioritária a estabilidade longitudinal, daí que, por tudo isto os hovercrafts típicamente Americanos sejam compridos e pontiagudos lembrando cascos de barcos e não sejam muito adaptados a percursos em "solid Ground".
Os hovercraft Europeus são típicamente curtos e largos, não possuíndo grande estabilidade longitudinal mas, muito manobráveis e de facto anfíbios na sua concepção e tipologia de saias, raramente são usadas saias tipo Bag.
Em velocidade de ponta, tanto pelo design pontiagudo (mais aerodinâmico) como pela estabilidade longitudinal, é natural que o tipo Americano seja mais veloz. Os hovercrafts tipicamente Europeus, pelas reduzidas dimensões e peso, pela sua maior estabilidade lateral, são naturalmente mais manobráveis e com maior poder de aceleração, bem como mais adaptados às transições entre água/terra.
Raramente veremos hovercrafts "Americanos" nos primeiros lugares das corridas do campeonato mundial bem como, não é de esperar que um hovercraft "Europeu" bata o recorde de velocidade ou ganhe as Speed Races.
O hovercraft ideal...
...Não existe!

É natural que assim seja, também não esperamos que um Ferrari Enzo ganhe o Lisboa-Dakar nem que a pick-up de Carlos Sousa ou um Mitsubishi Pagero saia vencedor da rampa da Falperra...

Também os hovercrafts são desenhados e concebidos para finalidades específicas.

Carlos Camoesas, 15/11/2006
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Mensagem por Miguel Parente » quinta nov 16, 2006 2:30 am

Boas,

Com um PROFESSOR destes é tão FÁCIL APRENDER :!: :!: :!:
Até parece que estou em cima de um hovercraft real :neutral7: :neutral7: :neutral7:

Em tempos, adquiri um "edge hovercraft" (no Continente ou outro espaço qualquer destes) só por CURIOSIDADE :idea:

Agora, também por curiosidade e para complemantar estas "AULAS" :!: , vou desmontá-lo, descascá-lo, olhá-lo, revirá-lo, etc :Duvida:
Com tantos ...á-los... não sei onde vou parar, mas... :Derretido: :neutral13: :Anjinho:

Sinceros parabéns "óh stor"
Miguel Parente
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Mensagem por Carlos-Camoesas » quinta nov 16, 2006 7:46 pm

:neutral6: :oops:
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Mensagem por Carlos-Camoesas » sexta nov 17, 2006 10:01 am

Drag Flaps (saia de arrasto). Uma espécie de ovo-de-Colombo!
Um hovercraft quando se desloca em água, se utilizar saias do tipo Finger, sofrerá atrito após desaceleração e em curva. Quando o hovercraft perde sustentação em água, as saias Finger, entram nesta por falta de pressão no colchão de ar, quando tiver sustentação novamente e ele se elevar, as saias (principalmente traseiras) teráo acumulado água no seu interior e terão que se libertar dela se, houver caudal e pressão de ar suficiente, isto provoca um arrasto (Drag) no aparelho que dificulta a reposição de velocidade.
Vários dispositivos ou concepções de saia foram já utilizados, sendo o Drag Flap o mais simples de conceber. Uma espécie de "lençol" que faz como que um prolongamento horizontal do casco na sua traseira, passando por baixo dos Fingers, como que ensanduichado entre estes e o solo (água).
O Drag Flap facilita assim a recuperação após uma perda de lift provocada por desaceleração, redução de sustentação ou curva apertada.
Outros sistemas são e foram usados, como fechar os Finger traseiros fazendo com que estes se assemelhem mais a cones do que a gomos de laranja.
Outros sistemas ou concepções são actualmente utilizados em competição à escala real, passando até pela simples e pura eliminação de algumas saias na traseira (neste caso é necessário um débito de ar "estúpidamente" grande).

Camoesas, 17/11/2006
Última edição por Carlos-Camoesas em domingo nov 26, 2006 1:39 am, editado 1 vez no total.
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Mensagem por Carlos-Camoesas » domingo nov 26, 2006 1:39 am

Geralmente quando se olha para um hovercraft (com saia tipo "bag") tem-se a tendência a pensar que existe uma espécie de "tubo" ou câmara de ar que rodeia o casco do aparelho. Não aprofundando nem observando toda a complexidade que envolve o seu funcionamento, seríamos levados a crer que é uma espécie de "carrinho de choque" que desliza em cima desse "tubo"...
Não é bem assim. Não é nada assim!
Analisemos uma ventosa e o seu funcionamento; quando a pousamos simplesmente, a ventosa não se "agarra" porque o seu peso não é suficiente para expulsar o ar que fica contido entre ela e a superfície, mas também não é fácil fazer com que se desloque porque a sua periferia se adapta à superfície onde está pousada. Se pressionarmos a ventosa expulsaremos o ar contido e criaremos um vácuo entre ela e a superfície, a ventosa fica "agarrada" pela sucção.
Imaginemos então o tal hovercraft que nos parecia uma ventosa e para que ele não fique "agarrado" à superfície criando vácuo sob o seu próprio peso do que necessitamos?
Precisamente do contrário daquilo que precisamos numa ventosa; teremos que em lugar de retirar o ar do seu interior, fornecer ou debitar ar de tal forma em quantidade (débito) e pressão, que vença o peso do aparelho e consiga escapar por debaixo da saia (da periferia da ventosa) criando uma "película" deslizante entre a saia e a superfície.
Esta massa de ar forçado, contido debaixo do casco do hovercraft é o chamado colchão de ar!
Um hovercraft com saia do tipo "bag" tem que forçosamente debitar ar para encher a saia e ar para encher o "colchão de ar". Esta alimentação da saia e do colchão, é conseguido de duas formas; duas "canalizações independentes, uma para a saia e outra para o colchão ou, alimentando a saia que por sua vez (através de orifícios) alimenta o colchão.

Num hovercraft integrado (somente uma turbina para impulso e sustentação) usando saias "finger" , a alimentação é conjunta pois o ar que alimenta o colchão é o mesmo que insufla os segmentos e que sai por orifícios na periferia do casco.
Num hovercraft com sustentação independente (duas turbinas), tanto pode ser usado este anterior sistema como, parte do ar gerado pela turbina de sustentação pode ser directamente canalizado para debaixo do aparelho alimentando o colchão e o restante saíndo pela periferia.

Se apenas alimentarmos a saia "bag" sem debitar ar para formar o colchão ou, se rodearmos um casco com uma câmara de ar (previamente cheia e selada), teremos uma "ventosa" que sob o peso do aparelho criará vácuo (ou depressão) impedindo que se mova, ficando "agarrado" ao solo!

Carlos Camoesas, 26/11/2006
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Projectar o casco de um Hovercraft de competição.

Mensagem por Carlos-Camoesas » sexta dez 01, 2006 8:07 pm

O casco.

Num hovercraft de competição devemos ter sempre presente que a qualquer momento o aparelho poderá perder a sustentação. Tal como um automóvel pode sofrer um furo, um barco ter um rombo e um avião danificar as suas superfícies de sustentação. Ao desenhar ou projectar um hovercraft de competição terá inevitavelmente que se precaver o repentino atrito do casco com a superfície em que se desloca, seja sólida ou líquida, devido a uma falha mecânica que impossibilite gerar o colchão de ar ou, um rombo, rasgo ou perda de saias que origine o “escape” desse mesmo colchão.
Assim, o casco de um hovercraft deve ser desenhado algo como se fosse um barco, deverá deslizar na água, não adornar e ser capaz de gerar a sua própria flutuabilidade. Esse casco deverá ser ao mesmo tempo pensado para suportar ligeiros toques em superfície sólida bem como ter a capacidade de resistir a impactos e ser capaz de ocasionalmente resistir a ser arrastado em superfície sólida.
Este “casco” não pode pelas razões anteriores, ser dotado de apêndices hidrodinâmicos tais como lemes ou foils, do mesmo modo, nenhum componente mecânico deverá ser exposto no fundo do casco.

Carlos Camoesas, 01/12/2006
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